Minha História
Uma auto biografia
ORIGENS E FAMÍLIA
Meu nome é Francisco de Souza Barbosa Júnior nasci em Juiz de Fora, Minas Gerais em 19 de março de 1958, filho de Maria Lenise Barbosa, de Limoeiro do Norte, Ceará, e de Francisco de Souza Barbosa, de Fortaleza, capital do Ceará.
Meu pai era aquele homem da poesia de Drummond. Um homem sério por trás do bigode e dos óculos. Cearense de 1m80, policial civil, técnico em eletrônica, diretor técnico da rádio sociedade de juiz de fora, um homem de uma voz belíssima, aveludada, mas que jamais quis ser locutor de rádio. Foi rádio amador, mas não queria ser locutor de rádio porque não se achava capaz para a profissão. Achava que teria que saber mais das coisas pra ser locutor. Um pai severo, mas amantíssimo. Um homem que eu queria ter tido tempo de conhecer melhor.
Dona Lenise é daquela mãe que põe os filhos embaixo das asas e faz tudo por eles, e dá a vida por eles. Minha mãe deu a vida pelos filhos e continua assim até hoje. É a Dona Lenise, prefeita da rua, do bairro, e que agora abdicou ao mandato para ser simplesmente uma mulher comum, como qualquer outra, que curte os filhos crescidos e os netos que chegaram.
Sou o irmão mais velho de Clóvis, Gisele, Denise e Daniele a caçula. Nossa família do tipo nuclear, mas lembro-me de meus tios, irmãos de meus pais com muito carinho. São todos do Ceará e os vi muito poucas vezes na vida. São pessoas que me deram muito carinho quando estive com eles.
Meu avô merece destaque. Viveu cento e cinco anos. Vovô Braúna. Teve uma prole de onze filhos e soube educar todos eles com muito carinho, com muito amor. Meu avô, Zé Baraúna dos Correios, merece destaque. Cento e cinco anos de amor aos filhos e de grandes exemplos.
JUIZ DE FORA
Em minha infância morei em Juiz de Fora, no Bairro Manoel Honório, nos onze primeiros anos de vida, e depois no Bairu, de onze aos vinte e três, quando me mudei para o Rio. Meu melhor amigo, Marcos Barbosa de Souza, que coincidentemente tem o meu sobrenome invertido, me ensinou a ler Neruda, Pessoa, Drummond, Nietzsche, Kafka, e me abriu a cabeça. Um belo violonista que não gostava de tocar violão, e uma grande cabeça, que se achava medíocre. É desses caras que acham que não são nada, e que movimentam o mundo. Morava perto da minha casa e estudava comigo. É um grande cara.
Minha primeira professora foi dona Marta, de quem não me esqueço e é minha ouvinte até hoje. Estudei sempre no Instituto Metodista Granbery. Quatro anos de primário, quatro de ginásio e quatro de científico. Formando-me em 76 com especialização. Eu sou técnico em eletrônica formado. Ainda em 76 prestei vestibular para a cadeira de Direito da Universidade Federal de Juiz de Fora, sendo o décimo segundo colocado na classificação geral. Em 77 ingressei nessa universidade onde fiz três anos de direito e dois de comunicação social, em Rádio e TV.
Eu sou do tempo do bonde. Do tempo da lotação. Do tempo das ruas de paralelepípedos. Eu sou do tempo romântico quando as pessoas andavam de mãos dadas pela cidade às duas da manhã sem ter medo de nada. Quando as pessoas se conheciam pelo nome. Quando se jogava bola no meio da rua e os carros paravam para você pegar a bola. Quando o bonde passava e parava à sua porta para te pegar. Assim como o ônibus, que parava e você conhecia o motorista pelo nome e ele te conhecia pelo nome. Era mesmo um tempo romântico...
Numa Minas Gerais fantástica, onde por eu estar na beirada, que é Juiz de Fora, sofri uma influência profunda da cultura mineira e uma influência igualmente profunda da moda carioca, pela proximidade com o Rio de Janeiro.
Tive a infância que quis. Muito pobre, não me faltou nada. Muito preso, como deveria ser na época, reverti o tempo de prisão domiciliar em leitura e audição de discos. O que fez da minha formação uma formação bem legal.
Fui muito estudioso até a faculdade, quando me meti em política, e aí virei realmente um cara que frequentava algumas aulas e muitos diretórios acadêmicos. Vim para o Rio no meio dos cursos de direito e de comunicação.
INÍCIO DA CARREIRA NO RÁDIO
Minha história no rádio começa na Rádio Difusora de Minas Gerais em Juiz de Fora por volta de 1973. A difusora tinha meio kilowatt na antena, ou seja, era um serviço de alto-falante melhorado.
Encontrei com meu pai em sua loja de discos onde fui buscar dinheiro pra comprar uma apostila de eletrônica. Ele estava conversando com um amigo dele, Gudesteu Mendes, dono daquela rádio, que era uma rádio musical, muito boa por sinal, de muito bom gosto.
Ele gostou da minha voz que já era grave quando eu tinha 15 anos. Como o grave que tenho hoje, porém mais selvagem. O homem ficou impressionado com aquele varapau — eu era muito magro então — com aquele vozeirão e me chamou pra ser locutor da rádio dele.
Nos dois primeiros anos eu era muito ruim. Ninguém me ensinava nada. Talvez por ciúmes. E eu achava que ser locutor era impostar a voz e falar grosso.
Depois fui pra Rádio Sociedade de Juiz de Fora, aquela na qual meu pai já trabalhava e trabalhou a vida inteira como técnico em eletrônica. Foi onde aprendi muito fazendo locução comercial. Naquele tempo os comerciais não eram gravados como agora. Tínhamos de fazê-los ao vivo. Na hora, mesmo.
CHEGADA AO RIO DE JANEIRO
Em 1981, a vida deu uma guinada e eu mudei-me para o Rio de Janeiro. Vim contratado para ocupar o horário da madrugada, de duas às seis da manhã, na tradicional Rádio Cidade FM, que era simplesmente a principal emissora jovem da época, um verdadeiro fenómeno.
Depois dessa fase na Cidade, fui para a Rádio Del Rey FM, que era uma emissora ligada a um grupo mineiro e que, logo a seguir, em 1984, mudaria o nome para Alvorada FM. Lá, tive o prazer de apresentar programas como o DJ's Parade e o Rock Laser.
Nesse período de FM no Rio, também trabalhei como locutor em outras grandes estações, passando pela Nacional FM, Estácio FM, RPC FM e pela Globo FM.
Mas há um detalhe dessa época que muita gente não sabe: além de trabalhar no rádio, eu também atuei como dublador, num período que foi de 1977 até 1985. O grande responsável por me colocar nesse meio, para trabalhar lá nos estúdios da Herbert Richers, foi o Márcio Seixas. Um mestre, dono de uma das vozes mais famosas do Brasil, que me abriu as portas da dublagem. Foi uma escola fantástica.
TRANSIÇÃO PARA O AM
Nessa época, entre a minha chegada ao Rio em 81 e a minha ida para a Rádio Globo na década seguinte, eu vivenciei a era de ouro do rádio FM. Era um tempo de vozes impostadas e de muita música estrangeira. A FM ditava a moda. Mas eu sempre tive uma inquietação política e social muito forte, que vinha da minha juventude em Juiz de Fora e da minha passagem pela faculdade de Direito.
Eu sentia falta de dar opinião, de conversar de verdade com o ouvinte, de ir além de simplesmente anunciar a hora certa e o nome da música. A rádio musical me engessava muito. A estrela era a canção, e o locutor era quase um acessório. E eu queria debater a cidade, eu queria fazer prestação de serviços, sabe? Queria ser útil para quem estava no trânsito ou em casa.
O rádio AM sempre exerceu um fascínio enorme sobre mim. Era no AM que a vida pulsava de verdade. Era ali que a dona de casa pedia ajuda, que o trabalhador reclamava do buraco na rua. O rádio AM é a verdadeira voz da comunidade.
Por isso, essa transição foi amadurecendo aos poucos na minha cabeça. Eu precisava de despir aquela roupagem do locutor clássico de FM, de voz aveludada, para encontrar o meu tom de verdade como comunicador. Para ser um comunicador no rádio AM, você não pode apenas ter uma voz bonita; você precisa de ter conteúdo, jogo de cintura, empatia. Você tem de conhecer as dores da cidade. Todo esse período nas FMs e na dublagem, antes de entrar na Globo, foi uma preparação. Foi quase uma escola intensiva de vida e de comunicação, para que eu estivesse pronto quando a grande oportunidade de fazer rádio falado chegasse.
TELEVISÃO E DUBLAGEM
Ao longo da década de 80, fiz várias participações e apresentei alguns programas de televisão, dentro os quais vale citar o telejornal do SBT (quando a emissora ainda se chamava TVS), os telejornais da Record (na época, TV Rio), a cobertura do Carnaval da Manchete, e, na Bandeirantes, o Meio Ambiente Urgente – primeiro programa de ecologia na TV brasileira, na Bandeirantes, quando ecologia ainda não era moda. Eram programas 'chapa branca' do Ministério da Agricultura.
Durante um ano e meio, às terças e quintas-feiras, apresentei o Sem Censura na TVE (hoje, Rede Brasil). Na minha opinião, foi a minha melhor atuação na TV. O Sem Censura é bem parecido com o rádio: é feito na hora, acontece na hora, é muito de improviso, de conhecimento de causa, é muito legal.
Na Herbert Richers, trabalhei como dublador, sendo o Tygra dos Thundercats o meu personagem mais marcante. A dublagem te despe da vaidade de ter voz bonita. Você tem que fazer voz de velho, criança, gago, tem que gritar, chorar... Acaba aquela coisa de 'Eu sou o locutor que vos fala, Francisco Barbosa'. Foi muito bom. Aprendi que comunicar não é somente ter a voz bonita; a voz é só um instrumento.
Na mesma década, tive uma agência de publicidade: a Francisco Barbosa Comunicação. O empreendimento acabou não dando certo, mas foi bom enquanto durou.
A ERA RÁDIO GLOBO
Minha ida para a Globo AM, onde me mantive por 15 anos, foi tanto casual como oportuna. Eu fazia aos sábados um programa de 6 às 10 da manhã para a Globo FM. Era 1986 e o Haroldo de Andrade estava no México para assistir a Copa do Mundo. Seu substituto, Mário Márcio, que participava dos Debates Jovens do Haroldo de Andrade, também apresentava um programa aos sábados na Globo FM, de 10 da manhã às 2 da tarde, o que coincidia com o horário do Debate Jovem, o programa de sábado do Haroldo.
Naquele dia coube a mim substituí-lo. Ao ouvir-me participando do debate, o Haroldo perguntou ao sonoplasta, Primo dos Santos, quem era aquele menino, e lhe informaram que era Francisco Barbosa da Globo FM. No ar ele anunciou que eu apresentaria o Debate Jovem durante suas próximas férias, e foi o que aconteceu. Eu fui chamado para cobrir as férias do Haroldo e de quase todo mundo na Globo AM.
Em seguida fui convidado a trabalhar com o Paulo Giovanni em seu programa. Eu fazia as coisas mais atuais, as notícias, as coisas do dia, etc. E o Giovanni às vezes fazia ao vivo a parte de entretenimento, e às vezes deixava gravado. Eu conversava com o gravador, mas a coisa era muito bem feita, era como se ele estivesse comigo todos os dias.
Em 88, herdei o programa dele, mas pedi que fosse trocada a equipe de produção. Foi quando me ofereceram profissionais que já estavam trabalhando com outros comunicadores. O Maurício Menezes, que trabalhava com o Luiz de França, mas não estava satisfeito, queria fazer mais; puxei o Maurício. O Hélio Júnior, que estava com o Haroldo Júnior no programa 'Novo Dia', apresentado durante a madrugada, mas queria trabalhar durante o dia; puxei o Hélio Júnior também. Eram profissionais que eu conhecia só de ouvir e achava talentosíssimos. Vieram também a Ana Paula Arósio, que não está mais em rádio, uma grande produtora da parte séria do programa, em especial da parte de produção de entrevistas, e a Iane Tavares, que era a nossa formiguinha, que fazia grande parte do trabalho de pré-produção, uma espécie de 'faz-tudo'.
O programa Francisco Barbosa com sua cara de sucesso, com muito humor, começou em 89, pois eu percebi que tanto o Maurício quanto o Hélio Júnior eram muito engraçados no dia a dia. Compunham paródias na sala de produção e se escolhavam o tempo todo. O Hélio Júnior fazia vários tipos e o Maurício criava muitas piadas para o programa. Ao invés de colocá-los só nas passagens apresentando piadas e pequenos quadros entre os segmentos do programa, eu comecei a inseri-los como atrações. A partir daí foi se montando o programa que fez tanto sucesso, sendo inclusive o único programa com dois horários na rádio: de meio-dia às 3 da tarde e de meia-noite às 3 da manhã.
Tínhamos mesmo uma grande equipe, por exemplo, Carlos Matias, o nosso querido Cacalo Patu-í, que revelou-se de grande talento, evoluindo junto com o programa. Tinha uma cultura jovem, de jovem surfista, inclusive no linguajar, com uma lógica própria e uma carioquice típica. Sua irreverência diante da vida trazia um tempero fantástico ao nosso dia a dia. Por outro lado, a Idê Fernandes, que apresentava o quadro 'Dicas para você viver melhor', era a antítese do Carlos e trazia hábitos arraigados. A Idê, que infelizmente não está mais entre nós, era uma oitentona que nos ensinava o profissionalismo, a aplicação nos horários, a leitura prévia dos textos, os ensaios. Além desses, contávamos também com Bruno Menezes, filho do Maurício, Flávio Almada Júnior, o único paulista, a Liliane Ferre que está na TV Globo agora.
O último programa Francisco Barbosa foi ao ar em 26 de novembro de 1999, no auge de seu sucesso.
Também por volta de 1989, graças à amizade que se fundamentou entre mim e Mauro Motta, começamos a apresentar o programa Papo de Música, que inicialmente ia ao ar aos sábados, de meio-dia às duas e mais tarde, de meio-dia às três. O programa surgiu espontaneamente da vontade de compartilharmos, de levarmos música de qualidade aos ouvintes. O Mauro, na condição de produtor musical de alto nível, comentava histórica e tecnicamente composições e artistas, além de citar curiosidades e fatos pitorescos a eles relacionados. Também apresentamos o último Papo de Música em novembro de 1999.
MUDANÇAS DE EMISSORA E POLÍTICA
Nessa época deixei a Rádio Globo. Fui contratado pela Rádio Tupi em dezembro de 2000, após breve passagem pela Rádio Carioca AM entre junho e julho de 2000. Na Tupi, cobri férias de diversos comunicadores até março de 2001, quando estreou o programa Super Debate Tupi em substituição a Francisco Milani. O programa ia ao ar das 10 da manhã ao meio-dia e permaneceu em atividade até outubro de 2001. O Super Debate tratava de temas atuais e conquistou audiência e credibilidade rapidamente.
Motivado por minha maior vaidade, servir ao cidadão, candidatei-me a vereador da cidade do Rio de Janeiro em 2000 pelo PSDB, sendo atualmente suplente. Foi uma experiência traumática e fantástica.
RETORNO À GLOBO
Retornei à Globo em novembro de 2001 já fazendo o programa "Boa Tarde Globo", de segunda a sexta, de 4 às 10 para as 6 da tarde. Um programa produzido no Rio de Janeiro por Lúcia Rebelo e Alessandra Ferreira, ambas da Central Globo de Produção, e em São Paulo por Célia Camargo, Ogat Santos e Luciene Marins. Contava ainda com a sonoplastia do Paulo Roberto Palácio, único remanescente do Programa Francisco Barbosa.
O "Boa Tarde, Globo" era pontuado por quadros e trata de atualidades. Apesar de curto, o programa oferecia informação, serviço e entretenimento, como diz o slogan da rádio: música, esporte e notícia.
MELODIA, RÁDIO MEC E TRAJETÓRIA MAIS POLÍTICA
Em junho de 2005, a direção da Rádio Globo decidiu encerrar o programa Boa Tarde Globo e me desligar da emissora. Após negociar com outras rádios, aceitei o convite de Marcelo Silva para integrar o projeto da Rádio Melodia FM, onde estreei o programa Manhã Melodia em agosto daquele mesmo ano.
O programa ia ao ar de segunda a sexta, em dois horários (das 6h às 7h e das 8h às 9h), com foco total no binômio informação e serviço, além de música cristã e o quadro 'Deus Responde'. Após quatro meses nesse projeto, passei a integrar também a Rádio MEC AM com o programa Atualidades, que estreou em 1º de novembro de 2005, seguido pelo Boa Tarde MEC.
A trajetória desse período encerrou-se com a extinção do Manhã Melodia em 16 de dezembro de 2005, após mudanças na gestão da emissora.
Em 2014, fui candidato a Deputado Federal pelo PSD/RJ e obtive 23.807 votos, mas não cheguei a me eleger.
RETORNO À SUPER RÁDIO TUPI
Mais adiante, em 2016, fui desligado da Rádio Tupi. Com a minha saída da emissora, em abril daquele mesmo ano, passei a comandar um programa na Rádio Sul Fluminense (96,5 FM e 1.390 AM), voltado para a região de Volta Redonda, Barra Mansa e arredores, no sul do estado do Rio de Janeiro.
Retornei à Rádio Tupi em 13 de março de 2017, reassumindo o 'Programa Francisco Barbosa' no horário das 10h às 12h. Mais recentemente, em outubro de 2023, houve uma nova reorganização na grade da emissora e, atualmente, apresento o meu programa de segunda a sexta, das 10h às 11h, trazendo informação e prestação de serviço para toda a família Tupi.
Hoje, sigo com a mesma paixão do início. Após as recentes reorganizações de grade, comando o "Programa Francisco Barbosa" na Super Rádio Tupi, de segunda a sexta, das 13h às 14h, e aos sábados, das 10h às 12h. Sou casado com Nina Rosa desde 1994 e pai orgulhoso do Bruno, da Priscila, do Francisco, do Filipe e do Frederico.